Revista Habitat
Um convite especial
É impressionante este período do ano em Belo Horizonte. Existem muitas árvores florindo e parece que a primavera se antecipa e mostra suas cores e perfumes. É impossível não relatar-lhes minha alegria, pois ao assomar-me à janela do escritório, vejo o canteiro central da Av. Getúlio Vargas completamente florido, quase que se oferecendo em buquê para mim. É como se a cidade me dissesse: olá Estela, estou aqui, basta você me ver, me experimentar. Basta você silenciar por um momento e estabelecer comigo uma relação consciente de desfrute, de fruição. É exatamente isso que me atrai na cidade, a possibilidade de descobri-la sempre, a cada olhar. A correia do dia a dia acaba nos roubando o direito de olhar, de sentir o outro, o mundo e até mesmo nossa casa. A questão está em não se deixar contaminar para não perder os presentes que estão por aí, prontos para serem vividos. Quando retormarmos um olhar curioso, quase infantil, cheio de desejo pelo novo, nos daremos a oportunidade de descobrir um mundo mais convidativo e incitante. Podemos recriar espaços e dar-lhes novos valores e significados na medida em que estabelecemos uma relação afetivas com eles. Convide-se para um passeio por Belo Horizonte, caminhe pela cidade. Só você e seu desejo pelo mundo, tenho certeza de que havera muitas descobertas.
Revista Habitat
Tão parecidos e tão diferentes
Estou projetando duas residências em um mesmo condomínio próximo a Belo Horizonte. Os dois terrenos possuem uma vista deslumbrante para a serra da Moeda, cada um descortina um trecho mais surpreendente e incitante das curvas que a natureza em Minas nos oferece em abundância.
Mesmo morando há oito anos nesta cidade, ainda me surpreendo e me sinto tocada com a possibilidade de se fazer uma casa cujas janelas se abrem para uma vista tão arrebatadora. Além de registrar minha homenagem, gostaria de discutir algumas questões interessantes que surgiram a partir da experiência dos projetos.
Tenho refletido sobre alguns conceitos através desta coluna, e um deles é a necessidade de se pensar na estética alinhada à realidade de cada família e ao perfil de cada cliente. O exercício desses dois projetos residenciais trouxe à luz do debate o quanto é necessário ouvir o cliente.
Mesmo em condições tão próximas, terrenos com mesma orientação solar, mesmo tamanho e declividade muito parecida, surgiram residências absolutamente diferentes. Os dois clientes queriam que a casa se abrisse à paisagem, tinham um programa de necessidades bastante similar, mas o estilo de vida e o repertório estético de cada um deles acabaram por sugerir volume, cor, iluminação, relação com o jardim e a paisagem extremamente distintos. As transparências foram muito mais possíveis em um dos casos, e no outro, grandes vão abertos em locais estratégicos acabaram por trazer as montanhas para dentro de casa.
Acredito que devemos nos debruçar nesta questão, tanto arquitetos quanto clientes: compreender o que realmente faz sentido para a vida daquela família, quem ela é, quais são as suas singularidades. Moda, tendência, adequação formal são apenas subsídios para um bom trabalho, mas conceito e significado são fundamentais para que o habitar seja de fato um solo seguro, onde a existência se enraíza e se ancora.
Revista Habitat
Sentir-se pertencente a um lugar
Esses dias, lendo um jornal, deparei-me com a seguinte pergunta: o que é morar bem para você? Os entrevistados dizem o que é importante para elas e para o local onde vivem. Então percebi o quanto as demandas são diferentes no que diz respeito à habitação.
Normalmente há uma conduta adotada nos escritórios de arquitetura que é, ao ser contratado, marcar uma reunião de programa de necessidades, isto é, discutir o que o cliente pretende e como quer que os espaços se configurem. Então em uma reunião com cliente aqui no escritório, lancei a mesma pergunta do jornal. O que é morar bem? Surgiu, então, uma discussão que nos possibilitaria muitos textos, mas resumidamente descobrimos juntos, eu e o cliente, algumas coisas que podem ajudar na hora de escolher um imóvel, reformar ou projetar uma casa.
Importante é ter consciência das suas necessidades, das suas verdadeiras demandas. O tamanho da família, o seu dia-a-dia, as funções que são necessárias na casa e a relação que pretendem com o entorno imediato e a cidade. Outro aspecto extremamente relevante é conhecer o seu repertório estético, saber o que lhe toca, emociona. Conceber também que a casa assume dimensões simbólicas nas nossas vidas. Aconchego, proteção, liberdade. Morar bem é olhar para o espaço da casa e se reconhecer nele. É se sentir livre, confortável, pertencente aquele lugar.
Pode parecer óbvio, mas o projeto para uma casa, tanto edificação quanto reforma, é uma tarefa altamente complexa, pois além de estimular o cliente a olhar para dentro da família e perceber a sua verdadeira demanda é, também, compreender o que lhe dizem e transformar essas expectativas em objeto, em algo palpável. Projetar será sempre uma construção conjunta entre o arquiteto e o cliente, talvez isso mesmo seja o mais difícil e o mais bonito nesta profissão.
Revista Habitat
Mon Oncle: arquitetura e cinema
Para quem ainda não se deliciou com as aventuras de Hullot, o filme trata do encontro de duas posturas, de duas formas de pensar e experimentar o mundo: a sociedade moderna, representada pela família Arpel e sua tecnológica casa modernista e Hullot, o tio simpático e desempregado, que rompe o pragmatismo e o cientificismo da época, não se enquadrando em padrões de estética e comportamento. Hullot estabelece uma relação afetuosa com seu sobrinho, filho único dos Arpel, e acaba servindo como exemplo, justamente por propiciar ao menino momentos mais alegres e estimulantes dos que aqueles que lhe são possíveis dentro de sua limpíssima, branca e intocável casa modernista. É um filme incrivelmente divertido e ao mesmo tempo passível de uma série de reflexões sobre a sociedade e a arquitetura.
Hullot é o contraponto à casa modernista dos Arpel, família integrada pela irmã do personagem, seu marido e filho. O tio vem de uma porção da cidade em que o racionalismo modernista ainda não havia alcançado, existindo muito mais possibilidade para que o sujeito pudesse vivenciar as ruas e estabelecer o seu próprio jeito de usar os espaços, tanto internos quanto externos. Percebe-se claramente o encontro de duas posturas antagônicas, a ordem e a desordem, o pragmatismo cientificista e a subjetividade fenomenológica. Tati satiriza a introdução extremada da tecnologia no cotidiano doméstico, a necessidade de viver para o outro, de ter uma imagem programada, pré-concebida para o outro. Reflete sobre a importância de uma forma de viver menos restrita por regras de bom comportamento e boa aparência.
Havia uma grande diferença entre o modernismo e a modernidade. Por muitas décadas, desde os anos 20 com o protomodernismo, a arquitetura estava a serviço de uma idéia, de um conceito de mundo, portanto aqueles que queriam se “associar” ao conceito de modernidade, de novos tempos, deveriam compreender e produzir uma arquitetura que fosse compatível com o momento histórico. O que ocorria era que muitas vezes a mentalidade dos indivíduos não era nada moderna, mas a forma como ambicionavam projetar-se socialmente sim. Suas roupas, suas casas, seus objetos, seus carros, enfim, era como se fossem impostos através de regras que nem sempre se encaixavam harmonicamente à real forma de perceber o mundo e aos valores mais íntimos do homem. Os Arpel, certamente, são o mais elucidativo exemplo de busca por mostrar-se moderno, ainda que para isso tivessem que educar-se novamente, agora dentro do mundo da tecnologia, da assepsia e da falta de intimidade.
Algumas questões nos interessam como, por exemplo, em que tipo de casa moramos? Somos sujeitos do espaço em que vivemos ou nos adaptamos a uma realidade confeccionada para nós, a qual simboliza luxo e status? Eu, particularmente, prefiro a vida de Hullot, mais divertida, menos programada e mais sujeita ao inesperado e a erros e acertos. Sempre, é claro, com uma boa dose de humor. E você?
Revista Habitat
Carlos Garaicoa: quando a arte e a arquitetura se encontram.
Trânsito, barulho, poluição. Afonso Pena, 14h, quarta-feira. Foi neste contexto que me encontrei com a obra de Carlos Garaicoa no Palácio das Artes. De repente o tempo parou e a preocupação com trabalhos pendentes no escritório passou. Era como se estivéssemos só eu e ele. Garaicoa e sua cidade fantástica, violenta, dura, pobre e ao mesmo tempo poética, livre e delicada.
Este Cubano, artista plástico, consegue se aproximar tanto da arquitetura que tive a sensação de que ele compreende mais deste universo do que eu mesma, arquiteta. A museografia nos propunha primeiro um refletir sobre as fotos duras de Havana. Restos de edifícios, restos de cidade. Fragmentos de uma realidade absorta na pobreza e na ditadura. Tudo era de uma crueza sem igual. Não era triste, mas real, sem subterfúgios ou desculpas.
Seguindo na galeria me deparei com peças incríveis, emocionantes. Carlos desenha cidades com uma técnica preciosíssima de desenho arquitetônico e perspectiva. Seu desenho usa linhas esticadas em alfinetes para delinear suas fantasias sobre ordem, simetria, edifícios e paisagens. Essas linhas, cujas sombras projetadas nas paredes, nos levam a uma ilusão de ótica, uma incerteza do objeto exposto, nos revelam a leveza e a poesia que podem habitar na arquitetura.
Pensar em arquitetura é pensar em formas de expressão. Em como o homem compreende seu lugar no mundo, como é capaz de espacializar seus desejos, fantasias, medos e alegrias. Arquitetura poderia ser, se eu ingenuamente me arriscasse a defini-la, um palco de projeções. Projeções da cultura, da sociedade, do próprio homem.
A obra de Garaicoa nos incita a uma reflexão sobre real e imaginário, feio e bonito, bom e ruim. E mais, libera um espaço nas nossas certezas, desconstrói algumas verdades, convida à dúvida.
Revista Habitat
Factory: a origem do loft e suas transformações
Hoje é extremamente comum ouvirmos a denominação loft ser usada para uma determinada tipologia arquitetônica. A origem do loft, entretanto, nos revela um espaço que pouquíssimo se assemelha com as construções atuais. O loft não era simplesmente um espaço pragmático composto por uma série de metros quadrados e um determinado layout, mas convidava a um estilo de vida e a uma maneira específica de usar o espaço.
É sempre complexo determinar a origem de um partido arquitetônico, mas vários autores acreditam que o loft teve seu princípio na Factory, na Nova Iorque da década de sessenta. O cenário artístico da época era extremamente diversificado. A arte contemporânea se apresentava de distintas maneiras após o expressionismo abstrato de Jackson Pollock. A Pop Arte foi um movimento extremamente revelador da sociedade americana de consumo e muito relevante para os novos rumos da arte e seus questionamentos sobre o que poderia ser considerado arte e qual a sua função.
Andy Wharol foi um grande expoente da Pop Arte e criador da Factory. Foi, provavelmente, o loft mais ilustre de todos os tempos. No livro "A boa vida: visita guiada às casas da modernidade", de Iñaki Abalos, o autor elege a Factory como um dos dez exemplos de casas e modos de morar criados na modernidade. Isto nos revela o quanto Wharol consegue “inventar” um novo lugar, uma nova forma de viver.
Localizado em uma antiga fábrica de Nova Iorque, em uma região decadente financeiramente, Andy cria uma espécie de comuna urbana, baseada nas comunas marxistas e sua família eletiva. As pessoas que ali viviam não eram membros de uma família tradicional, mas eletiva, moravam juntas por compatibilidade de ideias sobre o mundo e a arte. A Factory era um local onde se habitava e trabalhava, um local destinado à festa e ao trabalho, e, principalmente, ao trabalho como festa.
O loft novaiorquino era basicamente, em sua estrutura arquitetônica, uma casa-oficina, com grandes superfícies fluidas, alugada por baixos preços frequentemente datadas do final do século XIX. Viver no SoHo, região que acabou abrigando muitos lofts, já significava uma espécie de sentimento de “pertencer” a uma determinada comunidade. Uma comunidade alternativa, crítica e com novos códigos sociais. A liberdade marcou estas comunas urbanas, no âmbito da arte e da sexualidade.
Wharol disse: “Sempre gostei de trabalhar com as sobras, de converter as sobras em coisas, sempre achei que as coisas rejeitadas, e que todos pensam que não servem para nada, podem ser divertidas”. É como objetrouvé. Assim como a Factory é, em si mesma, uma nave rejeitada e reciclada, bem como os objetos duchampianos. O conceito de Wharol se dá no seu espaço de trabalho e vida e também em sua obra, o que se torna evidente nos seus trabalhos com latas de sopa Campbell e caixas de sabão Brillo.
Esta breve visita à Nova Iorque da década de sessenta nos revela o significado do loft e o quanto características marcantes foram sendo perdidas e transformadas na contemporaneidade. A ideia de trabalhar com as sobras, da família eletiva e do lugar eternamente aberto à festa cedeu espaço a uma arquitetura encomendada e construída sem rígidas restrições orçamentárias e em locais nobres da cidade. A antiga fluidez dos galpões aparece hoje timidamente na conexão entre sala, cozinha e às vezes dormitório.
Obviamente a arquitetura se transforma para atender a novos conceitos, novas maneiras de conceber os espaços e está intimamente ligada aos códigos sócias vigentes, mas sempre será bom pensar, e porque não imaginar-se, em uma das festas de Wharol, repletas de personalidades ilustres, como os Rolling Stones e Jacky K., com música dos então desconhecidos Velvet Underground e obras ícones do Pop espalhadas pela Factory.
Revista Habitat
A cópia não é bem-vinda
Como deve ser a arquitetura contemporânea? Tenho me perguntado onde mora, quais são as necessidades do homem contemporâneo e como a arquitetura pode servir-lhe. Ao percorrermos as ruas de Belo Horizonte nos deparamos com cópias arquitetônicas de movimentos anteriores. Cópias despudoradas que praticamente ressuscitam estilos de cem anos atrás como o colonial, por exemplo, e tratam a edificação como um pastiche de uma determinada época.
Uma das características que o projeto pode abarcar é a relação que estabelece com tradições locais e com a história do cliente, mas copiar soluções de telhado, esquadria, proporção de cheios e vazios e cores sem nenhum tipo de critério pode conformar um edifício deslocado de sua época, seu tempo.
Faz-se cada vez mais importante discutir a diferença entre a cópia e a referência a estilos arquitetônicos do passado. Em um estado de forte tradição colonial como Minas Gerais, por exemplo, não podemos negar que habita no imaginário de muitos a antiga casa de fazenda, suas cores, técnica construtiva, volumetria e distribuição interna dos ambientes. Há também as deliciosas lembranças de infância ligadas à arquitetura e o quanto elas podem suscitar momentos alegres.
O projeto, caso seja uma intenção do cliente, pode adquirir características que dialoguem com o repertório estético de algum estilo específico. O que deve ser avaliado com prudência é o que significa copiar algo o deslocando de seu contexto histórico.
A cópia não é bem-vinda. Não é possível recriar uma época, uma ambiência histórica e social, portanto também devemos manter o olhar atento para que não mimetizemos um determinado estilo arquitetônico anterior. É perceptível na cidade uma série de edificações que recriam o estilo colonial de forma absolutamente literal e não alcançam o patamar de uma interpretação sobre este repertório arquitetônico e uma readequação às novas necessidades funcionais e estéticas da contemporaneidade.
Assumir suas tradições, sua cultura, compreender por quais caminhos a arquitetura passou e lançar tudo isso em forma de proposição projetual é rico e contribui imensamente com o projeto. Talvez um dos grandes desafios arquitetônicos atuais seja transformar nossas origens, nem rechaçá-las, nem copiá-las.
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A arquitetura é realmente um ofício incrível!
A arquitetura é realmente um ofício incrível. Pensar sobre a maneira dos homens utilizarem os espaços e se relacionarem com ele suscita uma série de discussões extremamente ricas do ponto de vista filosófico e antropológico.
Fui inundada por um espírito de esperança e de renovação neste final de ano, pois trabalhei em cinco projetos concomitantes de dormitórios infantis. Percebi, então, que o arquiteto deixa sua marca nos espaços, mas os ambientes também são capazes de deixar registrado em nossas vidas suas características, eles nos dizem muito.
Estes projetos me ofereceram docemente todo seu frescor, sua luz, sua energia e me senti contaminada por uma espécie de alegria que acabou culminando em soluções arquitetônicas que agradaram muito aos clientes e também a mim. O lugar da criança na casa pode assumir características que somente a ele podem ser atribuídas. É o lugar da fantasia, da brincadeira, da alegria e da renovação. Os limites estéticos são muito mais tênues e a moda e as imposições formais se abrandam, cedendo lugar a um olhar mais atento à criança, à funcionalidade do espaço e à forma como cada família entende o uso daquele ambiente.
Ano novo, vida nova! Para uma vida nova um lugar cheio de aconchego, beleza, estímulo e muita alegria. O interessante é perceber que não se trata apenas de uma vida nova, mas de um momento novo para toda a família que se mostra mais receptiva a novas ideias e mais leve.
As questões técnicas como o melhor aproveitamento do espaço, projeto luminotécnico, mobiliário adequado se tornam apenas subsídio para o desenrolar das nossas fantasias sobre como será o futuro. Hoje, após esta experiência tão intensa, tenho certeza de que o futuro será iluminado, colorido e divertido como os quartinhos que projetei e que tanto me transformaram.
Feliz ano novo! Feliz recomeço!
Portal Uai
Um brinde à casa nova
A escolha do imóvel passa por uma série de fatores que determinam o sucesso do seu investimento. Muitas vezes, o que deveria nos proporcionar uma enorme alegria e satisfação, pois representa a realização de um sonho, acaba se tornando um verdadeiro transtorno e uma grande frustração.
Claro que a escolha do imóvel a comprar passa por uma instância emocional, mas é importante levar em consideração que, para podermos efetuar um bom negócio, devemos considerar algumas características pragmáticas na hora da escolha. O arquiteto é um profissional que poderá ajudá-lo neste processo, seja na compra de um terreno, uma casa ou um apartamento, pois terá conhecimento técnico para prestar uma consultoria de extrema relevância.
Todos querem a casa dos sonhos e idealizam um espaço perfeito, mas para transformar um imóvel na casa dos sonhos é necessário, além de muita fantasia, uma boa parcela de conhecimento técnico e olhar criterioso. Alguns tópicos precisam ser analisados antes de você fechar negócio. Devem-se observar, entre outros fatores: insolação e ventilação, área do imóvel e distribuição dos ambientes, a necessidade de se fazer uma reforma e a relação dele com a cidade.
O primeiro item é de fundamental importância, pois a casa deve ser bastante ventilada e iluminada, a fim de melhorarmos o nosso conforto e economia. A casa muito quente, normalmente com todas as aberturas voltadas para o norte, acaba por transformar-se em um local desagradável e faz com que gastemos mais energia com aparelhos de ar condicionado. Já a falta de ventilação e luz pode trazer prejuízos sérios como umidade e mofo. Aconselha-se que os quartos se posicionem à leste, pois receberão o sol da manhã e que a área de piscina se posicione à norte, pois terá sua extensão banhada pelo sol a maior parte do tempo.
Uma de nossas primeiras perguntas ao corretor é qual a área do imóvel, mas devemos pensar que esta resposta sozinha não quer dizer muita coisa. O imóvel pode ter uma área que atenda as suas necessidades, mas se a distribuição interna dos ambientes é totalmente falha isso acaba por transformar um espaço que poderia ser fluido e flexível em algo determinista e não satisfatório. O tamanho do ambiente deve estar relacionado ao uso que ele receberá, ao número de pessoas que freqüentarão este espaço e ao significado que ele possui para a família.
Digamos que o imóvel tenha muitas características positivas, mas precisa de uma reforma. É necessário que se contabilize junto ao seu preço o valor estimado da reforma. Sem dúvida é muito melhor poder adaptar a casa às necessidades e anseios estéticos do novo morador, mas o custo pode ser bastante representativo.
Avaliar a relação com a cidade exige um pouco mais de tempo e disposição, pois não basta analisarmos o imóvel como se fosse uma parte desconexa do município. Comecemos a pensar se o tempo gasto para locomover-se na cidade é algo que nos afeta, nos aborrece. Sendo assim, analisemos a distância da casa ao trabalho, da casa aos restaurantes preferidos, da casa à escola dos filhos, por exemplo. Observe se existem padarias, farmácias, transporte coletivo próximos e vá agregando outros itens nesta lista conforme o seu estilo de vida. Locais para caminhada e outros espaços públicos como praças e parques próximos podem valorizar o seu imóvel, além de proporcionar uma melhor qualidade de vida.
Após tantas colocações técnicas, faz-se necessário refletir sobre o significado da casa em nossas vidas. É lá que iremos viver as nossas alegrias e tristezas, é onde comemoraremos as nossas conquistas e onde nos sentiremos protegidos. É fundamental, portanto, que após uma análise detalhada, olhemos para os imóveis visitados com um olhar repleto de afeto, permitindo que nos apaixonemos e escolhamos o novo lar.
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